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14/07/2007 antropologia cultural BREVE HISTÓRIA DA PORNOGRAFIA por Ligia Cabus (Mahajah!ck) |
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Esculturas do Templo
de
Kajuharo, Índia, representam posturas do
Kama-Sutra, um dos mais antigos manuais de comportamento sexual. O erotismo e a
pornografia são temas presentes em todas as artes desde o alvorecer da
Humanidade: pinturas, esculturas, artes dramáticas, música, literatura,
fotografia. Sua característica essencial é a representação de situações de
natureza sexual. A pornografia existe desde a pré-história, quando o ato sexual
começou a ser associado a força sobrenaturais.
Cenas sexuais são comuns na cerâmica da Grécia Antiga onde figuram relações homossexuais em seus primeiros registros. Esculturas do falo ou fálicas são achadas em locais de culto religioso como no templo de Dionísio, em Delos. A arte erótica grega do período Helenístico teve seus modelos e motivos largamente copiados entre os romanos, mais tarde. O sexo também aparece em pinturas, lâmpadas e outros objetos da Grécia Antiga. Os gregos representaram o heterossexualismo, o homossexualismo e também as bestialidade, o sexo com animais.
A pornocultura existe desde o começo da história humana. Pesquisadores descobriram pinturas rupestres, pré-históricas,
representando o coito junto com petroglifos com cenas de caça. Em civilização, as primeiras figuras pornográficas
apareceram no manual de comportamento indiano chamado Kama-Sutra. O Kama-Sutra é composto de vários capítulos que
falam de diferentes aspectos da vida social mas, a vida sexual e amorosa constituem, talvez, os trechos mais
interessantes e também os mais conhecidos deste manual mundialmente conhecido.
Mas a representação do sexo na cultura hindu não se restringe ao Kama-Sutra. Esculturas porno-eróticas decoram os
templos de Kajuharo mostrando posturas de relação sexual que exigem um preparo físico verdadeiramente iogue para serem
praticadas.
Giulio Romano ou Giulio Pipi era protegido de Rafael, que morreu em 1520. Depois da morte do mestre, Giulio completou o trabalho que estava sendo feito para o Papa Clemente VII. Mas Clemente recusou-se a pagar o artista no mesmo padrão que pagaria a Rafael. Giulio protestou produzindo, nas paredes do Vaticano, 16 pinturas representando sexo explícito. As pinturas foram destruídas e Giulio foi banido de Roma. Passou o resto de seus dias na corte de um notável libertino da Renascença, Frederico Gonzaga. As pinturas, denominadas I Modi [As Posições], inspiraram gerações de outros pintores. Marcantonio Raimondi, fez gravuras reproduzindo o trabalho de Giulio. Estas gravuras, que ilustraram um livro de sonetos vulgares de Pietro Aretino, tornaram-se as mais famosas representantes da pornocultura Ocidental. Os originais das gravuras de Raimondi, também desapareceram porém, o barão Frederick Waldeck (1786-1875) havia copiado as imagens, que foram exibidas na França em 1892 junto com a republicação do livro de Arentino em uma edição colorida e limitada a 500 exemplares. DIR.: Ilustração do livro Julliete, do famoso libertino Marquês de Sade, edição alemã de 1789. LINK: VEJA TODAS AS ILUSTRAÇÕES In World Museum of Erotic Art
LINK:
TODAS AS GRAVURAS DE GIULIO ROMANO In ALL ART
Nesta época, ficou célebre o episódio de querela entre o Papa Clemente VII e aprendiz de Rafael, o artista Julio Romano [ou Giulio Pipi Romano]. Aparentemente, o Papa recusou-se a pagar um trabalho de Romano que, em revanche, pintou todo o hall do Vaticano com afrescos pornôs. O fato causou escândalo que se espalhou por toda a Europa e antes que os blasfemos afrescos fossem removidos vários artista profissionais fizeram reproduções das imagens que serviram de matrizes para muitas outras cópias e, assim, a arte pornográfica de Julio Romano se espalhou no Velho Mundo com auxílio precioso dos primeiros maquinários de imprensa. Durante o Iluminismo, muitos pensadores, especialmente na França, começaram a usar a pornografia como meio de crítica social e sátira, freqüentemente, condenando a Igreja Católica e a repressão sexual em geral. Histórias e ilustrações, vendidas nas galerias do Palais Royal, junto com os serviços das prostitutas, eram anti-clericais e apontavam o comportamento hipócrita de religiosos que estavam longe de cumprir seus votos de castidade celibatária. No fim do século XVIII a França era o país onde a pornocultura mais havia se expandido. A pornografia estava em cartas de baralho, cartões postais, posters etc.. Hoje, aquelas imagens seriam consideradas inocentes porém, na época, para muitas pessoas eram imagens escandalosas e no século XIX foram realizadas campanhas contra estas representações. Cidadãos apanhados divulgando pornografia eram levados à corte [de justiça] e obrigados a pagar multas. Muitos escritores, como Flaubert, Zola e Baudelaire, considerados clássicos atualmente, foram interpelados pela justiça sob acusação de divulgar elementos pornográficos em seus trabalhos.
Nos anos de 1920 surgiram as Tijuana Bible,
impressos com enredos e desenhos pornográficos. A publicação típica
consistia de oito quadros em tiras retratando personagens de quadrinhos e/ou
celebridades em situações pornográficas. LINK IMAGENS: TIJUANA BIBLES
Fotografia & Revistas Avanços tecnológicos na área de reprodução de imagens, fotografia e cinema, logo foram colocados à serviço da pornografia. O primeiro daguerreótipo [chapa fotográfica] apareceu em 1855 e o primeiro filme pornô foi produzido um ano depois dos irmãos Lumiere inventarem o cinema. Foi um enorme avanço para os negócios do ramo. Em 1880, novas técnicas de reprodução de imagens incrementaram o "negócio da pornografia", que se tornou um fenômeno de massa. Os impressos vendiam muito. Revistas expunham o nu e o sexo softcore, a pornografia leve, na época, um escândalo. Muitas destas revistas eram apresentadas como "de arte", entre elas: Photo Bits, Body in Art, Figure Photography, Nude Living and Modern Art for Men Em 1900, na Inglaterra, foi lançada a revista Health and Efficiency. Nos Estados Unidos, nos anos de 1920, apareceram os comic books, conhecidos como Tijuana Bible. Esses pequenos impressos existiram até o advento das revistas masculinas coloridas. Os comic books eram formatados como livretos de mão e cartões.
Em 1940, foi cunhada a palavra pinup, para designar
figuras eróticas retiradas de páginas de revistas e calendários e pinned up,
ou "penduradas" na parede pelos soldados da Segunda Guerra Mundial. Betty Grable
e Marilyn Monroe foram duas mais populares pin ups. Na segunda metade do
século XX, apareceram as revistas masculinas, como a Play Boy e a
Modern Man, dos anos de 1950. Trabalhavam com nú e o semi-nu, evitando a
exposição da genitália, como ainda hoje, nesta linha editorial.
Cartaz italiano do filme Garganta Profunda. "Garganta Profunda" lançado em 1972, foi produzido por menos de US$ 25 mil [dólares], o filme se tornou o mais lucrativo de todos os tempos na época. Ao ser lançado em salas adultas no centro de Manhattan tornou-se o estopim de uma inesperada tempestade social e política. Uma análise sobre como o filme influenciou na revolução sexual em curso na época e o contraste entre as modestas pretensões de seus produtores e o sucesso que fez nas telas. DIR.: O Império dos Sentidos (1976), um dos títulos básicos assinados pelo japonês Nagisa Oshima, apresenta-se hoje como um filme que está além de seu tema. Exibido no Brasil no começo dos anos de 1980, época em que o fim da ditadura militar trouxe a liberação tanto de filmes políticos considerados perigosos quanto a enxurrada de realizações de sexo explícito (os atores já não simulavam como nas pornochanchadas brasileiras, mas mantinham de fato relações sexuais; a câmara mostrava descaradamente a penetração), o trabalho de Oshima, a despeito da projeção artística do diretor, foi visto então com uma certa desconfiança pelos espectadores tidos por sérios. In DVD MAGAZINE
Cinema
Em 1972, o produtor Gerard Damiano lançou o filme Garganta
Profunda [The Deep Throat], sobre uma mulher que se queixava ao seu médico por
não ter prazer nas relações sexuais. O médico explica que a mulher tinha "o
clitóris" na garganta. O filme tem 15 cenas de sexo oral. O produtor gastou
somente seis dias para fazer Garganta Profunda e os atores trabalharam por
baixos salários. O filme tornou popular todo o elenco e ainda é um recorde em
termos de custo reduzido. Garganta Profunda inaugurou uma Era de Ouro para a
pornografia. Artistas e modelos famosos apareceram em milhares de filmes
pornográficos.
FONTE:
History of pornography: scandalous beginning and habitual reality
LINKS RELACIONADOS:
História da Sexualidade
edição: Mahajah!ck
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