miladys revista 4 qaboos 4 seu recado 4 ler recados
LINKS RELACIONADOS
LIÇÕES DE TARO
MAGIA E AMOR
|
ensaio As palavras de uma língua, signos de idéias, de coisas (coisas-em-si), são instrumentos de expressão que servem e pertencem aos falantes da língua. A linguística é ciência útil porém Palavras não se acomodam jamais à imobilidade sugerida pelas gramáticas, pelos dicionários ou momento histórico. O povo, que gosta de simplificar conceitos, tem por hábito atribuir sinonímia (igualdade de significado) a vocábulos cujos sentidos estritos, específicos, são consideravelmente diferentes. Este preâmbulo um tanto longo pretende, enfim, abordar o caso da palavra "BRUXARIA", empregada genericamente e errôneamente como sinônimo de termos como MAGIA, ESOTERISMO e OCULTISMO. A mesma lógica simplista pretende que bruxos (as), magos (as) ocutistas e esotéricos (as) SEJAM a mesma coisa. Este fenômeno socio-cultural de visão estereotipada, equivocada do que vem a ser "BRUXARIA" é muito bem ilustrada pela análise da "cena virtual" das "Salas de Bate-papo" do servidor UOL (Universo On Line - Este servidor é o que oferece opções mais variadas em termos de temas entre o religioso, o místico e o realismo fantástico). Nos chats do UOL dedicados aos temas metafísicos ou ligados à "física da espiritualidade", do sobrenatural e religioso, distingüem-se 15 categorias. A tabela abaixo é um demonstrativo da freqüência a estas salas em um flagrante da hora do crepúsculo no dia de Natal, em 2004. Os números revelam uma notável diferença na capacidade de agregação de determinados "LETREIROS" em relação a outros. |
|
CHATS METAFÍSICOS UOL |
|
|
Tema / Nº de salas |
Nº de pessoas |
|
EVANGÉLICOS – 8 salas |
202 |
|
ESPÍRITAS – 10 salas |
48 |
|
BRUXARIA – 2 salas |
42 |
|
CATÓLICOS – 6 salas |
30 |
|
BUDISTAS – 1 sala |
03 |
|
WICCA – 2 salas |
02 |
|
TESTEMUNHAS D E JEOVÁ - 1 sala |
20 |
|
JUDAISMO - 1 sala |
19 |
|
ADVENTISTAS – 1 sala |
Vazia |
|
CANDOMBLÉ – 1 sala |
Vazia |
|
UMBANDA – 1 sala |
05 |
|
ESOTERISMO – 3 salas |
05 |
|
OCULTISMO – 3 salas |
Vazia |
|
UFOLOGIA – 1 sala |
03 |
|
FICÇÃO CIENTÍFICA – 1 sala |
Vazia |
|
É evidente que as palavras BRUXARIA, ESPIRITISMO, EVANGÉLICOS E CATÓLICOS evocam complexos de valores subjetivos (simbólicos) mais atraentes que os termos OCULTISMO, ESOTERISMO, BUDISMO, etc.. Porém, no plano doutrinário, filosófico, teológico e ético BRUXARIA, ESPIRITISMO, EVANGELISMO E CATOLICISMO possuem várias afinidades com o OCULTISMO (que pode ser sinônimo de ESOTERISMO), o BUDISMO, a UMBANDA (ligada em especial ao Espiritismo), o CANDOMBLÉ, a tradição WICCA (magia européia) e, como demonstra a tabela, neste estudo incluímos a ufologia e a ficção científica, dois temas que não raro se cruzam com o Ocultismo em suas tão numerosas vertentes de práticas e teorias. Antes de abordar a questão central da confusão entre Bruxaria e Ocultismo, cabe ainda comentar uns poucos dados notáveis que a tabela expõe. São números que informam, a título de amostragem-teste, o modo como as pessoas, a sociedade, tem se posicionado diante dos aspectos mais frágeis da condição humana: sujeição ao destino, impotência diante das "forças ocultas" da fatalidade. Esta "amostra" tem seu valor em termos demonstrativos porque a comunidade de internautas, freqüentadores de chats em horários de pico, hoje, no Brasil, é numericamente considerável e pressupõe um nível de educação mediano. Por isso, aquelas salas estarem abertas há quase uma década, como fenômeno social, é um fato bastante significativo. Afinal, estamos no século XXI e, no entanto, os sombrios caminhos do misticismo continuam seduzindo o homem contemporâneo. O mesmo que se trata com a medicina de última geração; o mesmo que se rende fascinado às maravilhas da tecnologia, este homem "devoto" do novo, do atual, ainda procura cartomantes, entra em transe na reunião da "Igreja" cantando aqueles esteticamente pavorosos cantos de louvor, freqüenta os terreiros em busca da orientação de um conjunto búzios, e, absurdo dos absurdos, engajam-se, até, em "correntes positivas" por e-mail! No campo específico da religiosidade, a tabela mostra claramente a divisão entre cristãos: evangélicos e católicos (apostólicos romanos). A comparação dos dados evidencia: 1. o avanço das chamada "denominações" ou Igrejas Evangélicas no país; 2.o equilíbrio numérico de participantes entre as salas de Bruxaria, Católicos, Judaísmo e Espíritas. Neste caso, a observação por períodos prolongados, ao longo de dias, mostra que os Espíritas são mais procurados. Destas observações, resulta a constatação que a Bruxaria concorre em pé de igualdade, em relação a três das chamadas "grandes religiões" como recurso de solução metafísica, sobrenatural, subjetiva para problemas físicos, naturais, objetivos. A análise demonstra ainda resistência das tradições "pagãs", mais próxima da crença na "divindade do homem" e dedicada a empreender ações e reações fente aos percalços do "destino". O público espírita representa uma "pré-ocupação" centrada no mistério da morte enquanto os católicos afirmam a sua fé submissa em contraposição à fé de desafios e determinações dos evangélicos.
As salas de Bruxaria são especialmente curiosas. Uma das questões é: qual seria a orientação filosófica, relgiosa-metafísica dos freqüentadores daquelas salas? Em: Rejeições religiosas do mundo e suas direções, Max Weber (1980) observa que as religiões "de salvação", das grandes Igrejas mundiais tradicionais, (Budista, Cristã-Católica e Ortodoxa, Islâmica) distanciam-se da Magia no momento em que direcionam seus rituais e orientações em função de uma promessa de redenção em um outro mundo, uma outra vida. A Magia, em oposto, oferece práticas dirigidas à solução imediata de problemas da vida no presente, embora também se ocupe de questões relacionadas ao post mortem. Além disso, em termos de modelo de comportamento, as religiões são extremamente fechadas. Seu discurso mais ou menos uniforme recomenda submissão aos mandamentos das escrituras sagradas, fé ou confiança cega, sem restrições, na Vontade de Deus conforme as palavras do Cristo Jesus: "Senhor, se possível, afasta de mim este cálice mas que tudo se faça conforme a tua vontade, e não a minha". O Universo da Magia possui um leque bem mais amplo de valores identitários relacionados às variadas correntes de práticas tradicionais. Entre as "escolas de magia" existe espaço e flexibilidade suficientes para acomodar tanto os espíritos benévolos quanto os malévolos, virtuosos e viciados, angélicos e satanistas. Voltando às Salas de Bruxaria, a observação continuada (esta pesquisa vem sendo feita há três anos) revela que a maioria dos chatters não é "bruxo" ou "bruxa"; antes, são pessoas interessadas em "encontrar", conhecer bruxos (as). Entre estes, que procuram a "bruxaria", há os que desejam ou pensam estar precisando de bruxedos strictu sensu, ou seja, fórmulas, "simpatias", rituais, "pactos de poder", oráculos (advinhação, saber o futuro ect.). Outros, buscam, ainda que sem saber, aqueles que podem ser considerados especificamente Ocultistas, Esotéricos ou Magos, pesquisadores da metafísica, do sobrenatural (no sentido do natural ainda não explicado pela ciência "oficial"), adeptos da Fé, sim, mas da fé na lógica divina, significando crer que todas as coisas têm uma razão de ser ainda que incomprensível para o atual estágio do entendimento humano. Estes Ocultistas ocupam-se justamente em desvenar os mistérios da Leis da Natureza a fim de promover melhorias reais nas condições de vida corpórea e espiritual dos homens neste planeta. Nos chats, não raro, longos diálogos se desenvolvem em torno de tema esotérico, como o conceito de magia, por exemplo. Outras vezes, um adepto Ocultista ou mais de um "prestam atendimento" a alguém que solicita opinião ou ajuda.
Tudo isso é muito natural. Ocorre que há um certo tipo de episódio que causa perplexidade às mentes medianamente esclarecidas. A "cena", em geral, começa mais ou menos assim:
1º) alguém entra na sala de Bruxaria e pergunta: A bruxaria é, assim, um recurso alternativo para as angústias mais urgentes: amor e dinheiro. É alternativa porque os queixosos esgotaram suas esperanças em outras "portas". Estas portas eram as portas das Igrejas de origem destas pessoas, da religião que herdaram de seus pais, de sua cultura. No Brasil, são Católicos, Cristãos Ocidentais, além do Espiritas e uma minoria de orientalistas budistas e induístas em geral, como os adeptos da disciplina ioga, por exemplo. Os camponeses da Idade Média, servos de feudos, operários, artesãos e comerciantes dos burgos, também "se garantiam por fora" quando falhavam os "serviços" do poderoso e repressor cristianismo católico da época. Às escondidas, o povo e mesmo os nobres recorriam às tradições de seus ancestrais: politeístas, animistas, "bruxos". Naqueles tempos, além de "amor e dinheiro", a saúde das pessoas, muitas vezes, dependia do conhecimento dos "feiticeiros". Hoje, a saúde que escapa à medicina dos alopatas e homeopatas contemporâneos procura os terapeutas "alternativos", os "holísticos", que na verdade resgatam e aprimoram tradições metafísicas arcaicas: Reike (imposição de mãos, transmissão de prana, drenagem de venenos astrais), as posturas ioges, que trabalham a circulação das energias sutis e a tranquilização da mente; acupuntura, moxabustão (imposição de mãos aquecidas por fricção mútua) e do-in, estimulando o correto funcionamento de "chacras" que se refletem no sistema orgânico; florais de Bach, catalizadores do metabolismo natural de substâncias curativas. Ás vezes, o sujeito encontra a cura simplesmente engajando-se em trabalho voluntário em uma creche municipal; recupera o que se chama de "sentido da vida" e pronto! A saúde é um mistério!
Porém, como se viu, insatisfações nas esferas de amor e dinheiro são demandas urgentes que escapam aos apelos do bom senso, desafiam a paciência e provocam reações de desespero movidas pela fúria da paixão (no sentido de sentimento exacerbado). Nestes casos, padres, pastores, monges, médiuns, nada podem oferecer além de belas palavras de consolo, promessas, orações e conselhos. Diante da decepção, o homem "vergado sob o peso de suas dores" é assaltado pela tentação de recorrer à "bruxaria" e, se assim o desejar, não encontrará dificuldade em encontrar o que procura porque existe, mesmo na metrópole de cimento e aço que exala racionalidade, um tipo de "bruxo" que se dispõe a providenciar "soluções". Nos postes e muros das cidades, "cartomantes espíritas" oferecem milagres: "Seu amor em sete dias!". Publicam anúncios em revistas. Atendem por telefone. Pessoas deste tipo, que se proclamam bruxos ou dotados deste ou daquele poder paranormal, estes são os vulgarmente chamados CHARLATÃES; em teatro, seriam CANASTRÕES e não há que se confundí-los com Ocultistas (ou Esotéricos). Além do mais, estes (as) "médiuns" não são Espíritas, nem como discípulos de Alan Kardek, nem como Umbandistas, Teosofistas etc., que têm como preceito não comercializar seus talentos, sem falar nos falsos "Gurus" cujas comunidades ou ashrams não passam de casas comerciais do ramo da hotelaria místico-exótica.
O povo, porque tem pressa, porque não suporta a carência afetiva e financeira, na hora da aflição, entrega-se precipitamente à sedução dos "profissionais" da religião e da bruxaria. Convém alertar ao público em geral e aos freqüentadores dos Chats de Bruxaria, em particular, que:
ELIPHAS LEVI: DISTINGÜINDO MAGIA DE BRUXARIA A semântica especializada das ciências ocultas distingue magia de bruxaria como se distinguem as noções gerais de erudito do popular; como o conhecimento se opõe à ignorância. Magia, ocultismo ou esoterismo: isto é ciência. Bruxaria, feitiçaria, é manipulação inresponsável, supersticiosa de forças metafísicas. O bruxo pode até ser eficiente, mas não sabe a razão nem as possíveis consequências de suas eventuais realizações. Eliphas Levi dedicou vários parágrafos de Dogma e Ritual da Alta Magia (1993) à distinção entre ocultismo e bruxaria. Nas palavras do Mestre: Há uma verdadeira e uma falsa ciência, uma magia divina e uma magia infernal, isto é, mentirosa e tenebrosa; temos que revelar uma e desvendar outra; temos que distinguir o mago do feiticeiro e o adepto do charlatão. O mago dispõe de uma força que conhece, o feiticeiro procura abusar do que ignora. ... O mago é o soberano pontífice da natureza, o feiticeiro não passa de um profanador. (p 73) Embora seja compreensível que problemas com amantes (marido, mulher, namorado(a), "cachos", etc.) e finanças possam, muitas vezes, assumir as feições de um pesadelo, um "fim do mundo!", as pessoas devem acautelar-se e evitar atitudes precipitadas, ditadas pela pressa de encontrar uma solução, pelo calor de uma emoção de momento, pela carência, pela necessidade de amparo. São apelos sentimentais muito fortes. Em situações assim, de grande dificuldade, angústia e desalento, muita gente apela para um "místico", um guru, um médium, uma cartomante. Há quem ligue para um DISK-MAGIA qualquer, há quem entre nas Salas de Bruxaria do UOL perguntando se "Tem um bruxo na sala". Porém, cuidado! A tradição dos Mestres recomenda absoluto respeito para com o uso das ciências ocultas e recomenda desconfiança em relação aos "magos" que anunciam seus "Serviços" e se oferecem para "operar" um ritual ou receita mágica de solução. Estes "magos aparecildos" podem ser: ou um daqueles "feiticeiros celerados" aos quais se refere Eliphas Levi, ou brincalhões, "zoadores de chat", debochados que se divertem desenvolvendo uma conversa de fantasias com o incauto consulente (Isso quando, nos chats, o próprio consulente não passa de um gozador). Por estas razões, quando aparece na tela o tal "Tem um Bruxo (a) na sala?", é normal que ninguém se manifeste. Não há resposta; ao menos, não resposta a sério. Isto porque os ocultistas confiáveis, que se respeitam, e mesmo aqueles que apenas simpatizam com ciências ocultas, preferem se manter à distância destas práticas de charlatão. Atender a estes solicitantes seria desperdiçar um conhecimento valioso com problemas insignificantes que não precisam de mais do que bom senso para serem resolvidos. Os que sofrem por causa de conflitos amorosos ou falta de dinheiro deveriam, antes de mais nada, tentar recuperar ou manter a serenidade e questionar a si mesmos se é necessário, imperioso, único recurso, consultar um "Bruxo" para encontrar saída, caminho, ajuda, consolo. Aquele que sofre precisa, antes de mais nada, explorar seus próprios recursos de inteligência e força de vontade antes de recorrer a terceiros de qualquer natureza, mesmo amigos e parentes. O homem, (a expressão se refere às mulheres também, evidentmente) deve e precisa empenhar-se em tentar honrar sua condição de humano, valorizar sua própria capacidade de discernimento e, diante dos desafios da vida, cultivar a postura de um nobre guerreiro.
Não obstante estas advertências, que apenas repetem os conselhos dos mais destacados Ocultistas de todos os tempos, muitos, ao ler este ensaio, ficarão ainda mais instigados pela curiosidade em torno dos "feitiços". Pois se há tanto empenho para alertar às pessoas contra estas práticas, então é porque devem existir e produzir determinados efeitos. Os alertas dos Magos funcionam como uma declaração: Magia existe; ocorre que, ordinariamente, é uma força inconsciente atuando em natureza e, como força produtora de energia (de ergon, de trabalho), é tão poderosa quanto uma arma e tão perigosa como arma em mãos erradas, mãos inspiradas pela maldade, ou pela fraqueza, ou pela ignorância. MAGIA CONSCIENTE não é para leigos e os leigos devem saber que MAGIA DE VERDADE só funciona quando se "faz com as próprias mãos". Consultar "Bruxos" em emergências é inútil porque, em última instância, quem opera é o próprio interessado. MAGIA é uma faculdade tão pessoal quanto andar. Uma pessoa não pode mover as pernas por outra. O máximo que um Mestre pode fazer é orientar o discípulo quanto à forma correta de utilizar as próprias forças. (...) afirmamos sem temor que o enfeitiçamento é possível. (...) não só é possível como também é, de algum modo, necessário e fatal. Realiza-se sem cessar, no mundo social, sem conhecimento dos agentes e pacientes. O enfeitiçamento involuntário é um dos mais terríveis perigos da vida humana. (...) Há, pois, duas espécies de enfeitiçamentos: o enfeitiçamento involuntário e o enfeitiçamento voluntário. Pode-se também distinguir o enfeitiçamento físico do enfeitiçamento moral. (...) o enfeitiçamento “POR CORRENTE” é uma coisa muito comum, como notamos; somos levados pela multidão, no moral como no físico. (p 177 | 178)
Os "bruxos de feira" são mais atrasados que qualquer candidato a sacerdote sumério que viveu há quatro mil anos atrás! É absolutamente surreal que em pleno século XXI da Era Cristã há quem compre "Revistas de Magia" ou entre em um site para copiar uma "Simpatia Para Conquistar um Grande Amor". Mais embasbacantes ainda são aquelas pessoas que se dão ao trabalho de "seguir a receita!". Produzem então um daqueles ridículos "Kit-Pagode-feitiço-pega-amor" com pires "branco virgem", vela cor-de-rosa, mel, foto, nome da "vítima", e lêem os salmos tais e tais durantes tantos dias e depois queimam tudo e jogam no mar (uma poluição!) num saco de lixo preto enfeitado com rosas vermelhas, presente para Iemanjá! SAIBAM OS LEIGOS:
O verdadeiro magista enfeitiça sem o cerimonial e somente pela reprovação àqueles que julga necessário punir; enfeitiça até pelo seu perdão os que lhe fazem mal, e nunca os inimigos dos iniciados ficam impunes de suas más ações. ... Os enfeitiçamentos dos feiticeiros são de uma outra sorte e podem ser comparados a verdadeiros envenenamentos de uma corrente de luz astral [As cerimônias que praticam servem para “exaltar” a VONTADE a fim de faze-la agir à distância.] ... Denunciemos aqui alguns de seus processos reprováveis:
Quantos aos Oráculos, os meios de vidência do futuro ou das forças ocultas que atuam no presente, são também pouco recomendáveis.Sendo a adivinhação "conforme a significação gramatical da palavra... o exercício do poder divino", resulta que operar com os oráculos "é o sacerdócio do mago" (LEVI, 1993 - p 382). Ora, sendo tão difícil encontrar verdadeiros Magos, tanto mais, um Mago respeitável que se disponha a abrir seus oráculos para terceiros, o mais provável, quando o cidadão procura cartomantes, pais-de-santo, médiuns etc., é que venha a se decepcionar, por perceber a farsa de imediato, ou cair nas garras de um (a) charlatão (ã), se a performance do (a) golpista for convicente. Além disso, quem procura um oráculo nem sempre deseja a verdade; antes, procura a qualquer preço um veredito que seja favorável aos seus anseios mais secretos (muitas vezes, nem tão secretos assim). Por isso, "o exercício público da adivinhação não poderia, na nossa época (século XIX), convir ao caráter de um verdadeiro adepto, porque seria, muitas vezes, obrigado a recorrer ao charlatanismo e às habilidades (truques) para conservar a sua clientela" (LEVI, 1993 - p 393). Em Magia, o poder de vidência é uma especialidade longamente desenvolvida através numerosos exercícios e estudos. Sua prática, não depende apenas de fenômenos sobranaturais, de revelações obtidas em êxtases. O Mago é um estudioso da alma humana e sua formação inclui uma psicologia ampla que observa desde as palavras até as expressões do corpo e rosto do consultante: "... nas formas do corpo, na luz dos olhares, nos movimentos, no andar, na voz, mil indícios reveladores. ... Mas a adivinhação, de qualquer modo que a operemos, é perigosa ou, ao menos, inútil, porque desanima a vontade, embaraça a liberdade e fatiga o sistema nervoso." (LEVI, 1993 - p 271 | 392) Diante dos esclarecimentos do Mestre Eliphas Levi, concluímos que consultar oráculos é uma prática que exige muito cuidado e uma razão muito forte para justificar a consulta. A mera curiosidade não é razão suficiente para abrir o Taro ou jogar o I-Ching. Somente a real necessidade de entendimento diante de uma situação urgente e confusa pode legitimar o ato de ousar desvendar o destino e/ou as realidades ocultas. Outro mestre esotérico, Papus, em seu Tratado Elementar de Magia Prática, chama a atenção para a necessidade do magista ADAPTAR as práticas, os rituais e recursos do passado às condições do presente. Assim, por exemplo, se não é possível ao Mago atual fabricar determinados objetos mágicos (como espada, baqueta etc.), que compre pessoalmente os materiais, escolha um artesão ou se adquirir um obeto em uma loja, uma taça, uma lâmpada, velas, que tenha o cuidado de consagrar estas coisas, que tenha um lugar reservado para guardá-las e cercando-as de cuidados simbólicos, conseguirá imprimir a tais objetos a qualidade de pertencer a ele, o Mago que os possui. No caso dos oráculos, uma maneira de utilizá-los de forma segura em nossos dias, à luz das interpretações da psicologia jungiana, é operá-los por si mesmo (a). O psicanalista Carl Gustav Jung, pesquisou a validade dos jogos de Taro e I-Ching e elaborou uma teoria que relaciona os acertos dos oráculos a complexas operações mentais realizadas em nível subconsciente (ou supraconsciente!). Tais operações seriam desencadeadas pela concentração no suporte físico do oráculo. No Taro, as cartas, tocam inconsciente através dos conteúdos simbólicos, arquetípicos, mitológicos das cartas. No I-Ching, pela relação metafísica do contínuo e do descontínuo, do inteiro e do partido, do uno e do diferenciado, relação que aparece nos trigramas como se fosse uma transcrição da vida nos termos matemáticos de um código binário. Se o suporte físico do oráculo é uma bola de cristal, as operações do subconsciente são ativadas pela abstração do consciente, causada pela saturação da mente consciente, de modo indireto, através da saturação da vista, que o médium concentra, olhando fixamente e tendo o pensamento e a percepção dirigidos somente para a realidade da esfera reluzente. Quem gosta de oráculos, deve fazer de si mesmo seu próprio vidente. É recomendável escolher um instrumento divinatório. No ocidente, o Taro é o mais usado e também o mais recomendado pelos Mestres. Mas seja Taro, I-Ching, Runas, Búzios etc., por mais simples que isto possa parecer, as pessoas que realmente insistem em se interessar por ocultismo, não têm porque se constranger em comprar o seu baralho e um bom manual e interpretação, de preferência com uma introdução histórica. Feito isso, mantendo discrição, evitando fazer deste fato assunto de conversas ligeiras, podem começar estudo e prática meticulosos desta arte-ciência. Um dia, perceberão que no exercício de interpretar um jogo, pensando em alcançar o saber do oculto no presente, passado e futuro, conquistarão um poder muito mais valioso: o poder de olhar detidamente para si mesmo, o luxo de um momento íntimo, o prazer de descobrir o que significa praticar o princípio dos princípios da ciência mágica: "Conhece-te a ti mesmo".
LINKS RELACIONADOS |
miladys revista 4 qaboos 4 seu recado 4 ler recados
pesquisa e texto: matabaratha
masterdesigner: Jah!ck
28 de dezembro de 2004